REFLEXÃO | DO OUTRO LADO DA CRUZ


Cristo é a nossa razão, a razão de todas as coisas visíveis e invisíveis. Tudo o que recebemos — o privilégio de servi-Lo, de tê-Lo como Salvador e Redentor — é graça que desce de Deus e brota do amor infinito que levou o Filho a se oferecer em sacrifício, para aniquilar o peso do pecado que oprimia a humanidade. Não se pode contemplar a cruz sem sentir o eco de um amor inefável: o amor de Cristo por cada um de nós.

Muitas vezes, o coração humano teme, imaginando-se só, como se o Senhor tivesse adormecido e se afastado nos momentos de tormenta. Mas se Deus não se importasse, não teria entregue Seu Filho Unigênito à morte por mim e por ti. Assim como os discípulos, que na tempestade pensaram estar abandonados, também nós vacilamos. Mas Cristo, com serena autoridade, ergueu-Se, não para repreendê-los em ira, mas para acalmar os ventos e o mar com voz de paz. Ele não abandona. Ele nunca abandona. Nem no alto da cruz deixou de revelar Sua fidelidade.

Ao atravessar para o outro lado da cruz, descobrimos o que o coração buscou desde sempre:

Encontramos o nosso valor diante de Deus, pois Ele entregou o Seu Filho Santo à morte por nós.

Encontramos união e paz, como diz o apóstolo: “Porque Ele é a nossa paz” (Ef 2:14-16). Pela cruz, Cristo derruba toda separação e reconcilia em Si mesmo o que estava dividido.

Encontramos a revelação do mistério oculto, agora manifestado em Cristo, conforme testemunhou Paulo (Rm 16:25-26).

Diante de tão grande mistério, como agradecer? Como oferecer a Ele adoração digna? O apóstolo nos mostra o caminho em Romanos 12:1-2:

“Rogo-vos, pois irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Assim, os passos da entrega se abrem diante de nós:

Ofereça o seu corpo como sacrifício vivo — que cada gesto seja santificado, que cada respiração seja louvor.

Não se conforme com este mundo — recuse as sombras passageiras, diga “não” ao que destrói a alma, todos os dias.

Permita que o Espírito Santo o transforme — de dentro para fora, renovando forças, fé e entendimento.

Busque agradar ao Senhor — para viver a Sua boa, perfeita e santa vontade, e não a sua própria.

E assim, contemplando a cruz que já está vazia, ergamos nosso cântico. Pois por meio dela fomos libertos, feitos filhos amados, herdeiros de promessas eternas. Do outro lado da cruz, descobrimos que a morte se fez vida, e a perda, vitória.

Lairrana, 🌿 Escrito em: 06/03/12. Revisado e adaptado. 


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